Alergia alimentar em cães: como identificar, confirmar e tratar com dieta de eliminação

Alergia alimentar em cães: como identificar, confirmar e tratar com dieta de eliminação

Alergias e Sensibilidades

Alergia alimentar em cães:
identificar, confirmar e tratar

A alergia alimentar em cães pode se desenvolver a qualquer alimento, a qualquer momento da vida — inclusive a ingredientes que o cão come há anos. Entender o mecanismo é o primeiro passo para resolver.

Alergia alimentar Dieta de eliminação Proteína alternativa

A hipersensibilidade alimentar é uma reação do sistema imunológico a uma proteína específica da dieta. Ela pode se desenvolver a qualquer alimento, a qualquer momento — inclusive a ingredientes que o cão come há anos sem aparente problema.

É exatamente esse ponto que confunde os tutores: o cão come frango há três anos sem nenhuma reação — e de repente começa a se coçar constantemente, com otite recorrente e fezes instáveis. A causa pode ser exatamente o frango que ele sempre comeu. Antes de investigar alergia alimentar, é importante descartar outras causas de coceira — veja o guia completo sobre as 7 causas de coceira constante em cães.

Por que a alergia se desenvolve a um alimento que o cão já comia

A alergia alimentar se desenvolve por exposição repetida e acumulada. O sistema imunológico precisa de tempo e de múltiplas exposições à proteína para desenvolver a sensibilização. É como uma taça que vai sendo preenchida gota a gota — até transbordar.

Proteína Frequência de alergia* Observação
Frango Alta Presente na maioria das rações como proteína principal — por isso a sensibilização é mais frequente.
Carne bovina Alta Segunda proteína mais frequente em rações e alimentos naturais.
Laticínios Moderada Frequentemente oferecidos como petisco por tutores.
Trigo e glúten Moderada Muito presente em rações extrusadas como ligante.
Soja Moderada Proteína vegetal usada em rações de baixo custo.
Suíno Baixa Raramente consumido antes — por isso é uma das primeiras alternativas no protocolo de eliminação. Ver proteína suína →
Peixe (variado) Baixa Proteína nova para a maioria dos cães brasileiros. Ideal para dieta de eliminação.

*Baseado em Favrot et al. (2010), Loeffler et al. (2006) e Gaschen & Merchant (2011).

Como identificar: os sinais mais característicos

Sinais que sugerem alergia alimentar
  • Coceira não sazonal — presente o ano inteiro
  • Otite externa recorrente (uni ou bilateral)
  • Lamber as patas de forma compulsiva
  • Coceira na face, axilas e virilha
  • Diarreia ou fezes amolecidas frequentes
  • Pouco responsivo a corticoides
Diferenças em relação à atopia
  • Sem padrão sazonal definido
  • Sinais gastrointestinais associados
  • Início pode ser em qualquer idade
  • Não piora em estações específicas
  • Não melhora ao sair do ambiente

Em muitos cães com alergia alimentar, a queda de pelo excessiva aparece junto com a coceira — os dois sinais juntos aumentam significativamente a suspeita de causa alimentar.

O diagnóstico: por que só a dieta de eliminação confirma

Exames de sangue e saliva que prometem identificar alergias alimentares têm alta taxa de falsos positivos e negativos — e não são reconhecidos como critério diagnóstico pela maioria dos dermatologistas veterinários. O único método confiável é o teste de eliminação e provocação:

1
Escolher uma proteína genuinamente nova
Uma proteína que o cão nunca consumiu antes — ou consumiu muito raramente. As mais usadas são suíno, peixe de água fria, coelho ou cordeiro. O tutor precisa rastrear o histórico alimentar completo do cão para escolher a proteína certa.
2
Manter a dieta exclusiva por 8 a 12 semanas
Nenhum outro alimento, petisco, suplemento com sabor ou medicamento com palatabilizante durante o período. Qualquer "escapada" reinicia o protocolo. O alimento escolhido precisa ter suplementação veterinária completa para que o cão não desenvolva deficiências durante as semanas do teste.
3
Avaliar a resposta
Se os sintomas melhorarem significativamente (mínimo 50%), a alergia alimentar é confirmada. Se não houver melhora, a causa é provavelmente atopia ou parasitária.
4
Teste de provocação (opcional, mas confirmatório)
Reintroduzir o alimento suspeito por 2 semanas. Se os sintomas voltarem, o diagnóstico está confirmado. Se não voltarem, a dieta de eliminação pode ser mantida como dieta permanente.
O alimento certo para o protocolo de eliminação precisa ter: uma única fonte proteica animal de origem identificada, sem "farinhas" genéricas que podem conter qualquer proteína, com suplementação veterinária completa para que o cão não desenvolva deficiências durante as 8 a 12 semanas do teste. Sem esses requisitos, não é possível garantir que o protocolo está sendo seguido corretamente.

Se além da coceira o seu cão apresenta episódios frequentes de diarreia ou fezes com odor muito intenso, esses são sinais adicionais que reforçam a hipótese de causa alimentar.

Para cães com alergia alimentar

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Referências

  1. Favrot, C. et al. A prospective study on the clinical features of chronic canine atopic dermatitis. Veterinary Dermatology, 21, 23-30, 2010.
  2. Gaschen, F.; Merchant, S. Adverse food reactions in dogs and cats. Vet Clinics NA: Small Animal Practice, 41(2), 361-379, 2011.
  3. Loeffler, A. et al. Dietary trials with a commercial chicken and rice diet for dogs with suspected food hypersensitivity. Veterinary Record, 158, 547-552, 2006.
  4. Olivry, T.; Mueller, R.S. Evidence-based veterinary dermatology: systematic review of the pharmacotherapy of canine atopic dermatitis. Veterinary Dermatology, 14(3), 121-146, 2003.

 

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